Os impactos da Covid-19 para diabéticos do Brasil

Uma Pesquisa que foi publicada na Revista Diabetes Research and clinical pratice que foi feita em parceria com a USP e publicada no dia 3  de Julho ela contou com 1700 brasileiros.

Ela foi conduzida por um Grupo de instituições nacionais e internacionais, o estudo revelou que os portadores da doença mudaram seus hábitos durante a quarentena, o que causou uma piora nos níveis glicêmicos.

Se os mesmos se infectarem, eles podem desenvolver uma forma mais graves de Covid-19.

Outra informação preocupante é que os pacientes relataram dificuldades em receber os insumos necessários para controlar o metabolismo.

Dos 1700 tiveram 612 que obtêm pelo sus seus insumos no entanto 128 apenas receberam medicamentos para 3 meses. Lembrando que isso era recomendação do Ministério da Saúde.

Um questionário,composto por 20 perguntas de múltipla escolha, foi enviada por meio de redes sociais e grupos de diabetes.

Dos participantes 1275 eram mulheres e 78% tinham de 18 a  50 anos e 65% moravam na região Sudeste. A maioria (60%) era portadora de diabetes tipo 1 e 31% do tipo 2.

Além disso, 39% tinham acesso ao serviço privado de saúde e 33% deles utilizavam tanto o sistema público quanto o privado.

Os dados foram coletados entre 22 de abril e 4 de maio de 2020.

 

Com estas respostas, coube a Viviana Giampaoli, professora do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, construir mapa de relações para criar as associações entre idade, ocorrência dos sintomas da covid-19, tipos de diabetes e a evolução de algumas comorbidades, por exemplo.

“Vimos que as pessoas com diabetes do tipo 2 controlam menos a glicemia e apresentaram maior frequência de outras doenças e complicadores, como problemas de saúde mental”

, explica Viviana.

“Vários pacientes com diabetes tipo 1 apresentaram sintomas de Covid-19 e não foram testados, mesmo convivendo com familiares infectados.”

Eles cuidaram das rotinas,é importante manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios, já que essas atividades ajudam a manter a glicemia em níveis seguros.

Eles viram que os respondentes (95%) passou a ficar em casa e diminuiu a atividade física.

“Quase 60% das pessoas reportaram redução nos exercícios”, relata Mark Thomaz Ugliara Barone, vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes e primeiro autor do estudo. Dos 1.701 entrevistados, 38,4% adiaram suas consultas médicas e a realização de exames. Quase 49% deles aumentaram o tempo em frente à TV e 53% acessaram mais a internet.

Dos 91% que monitoram a glicemia, a maioria (59%) percebeu alterações como aumento (20%), diminuição (8,2%) ou maior variabilidade (31%) nos níveis de glicose. . “Obviamente que esses fatores vão ter um impacto importante sobre os autocuidados, por isso a população precisa ter um acesso otimizado ao serviço de saúde”, relata Barone. “No questionário, havia um campo de observação onde os pacientes escreveram relatos desesperados sobre a dificuldade de entrar em contato com os médicos pessoais”, enfatiza.

Desde o início da pandemia, os serviços de saúde de rotina foram reorganizados ou descontinuados. Outros profissionais foram redirecionados para trabalhar na linha do combate à covid-19. “Com isso, a população precisa ser informada de como proceder e que alternativas possuem caso apresentem sintomas causados pelo novo coronavírus”, afirma Barone.

Mais estudos

Uma pesquisa virtual, realizada pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas) – organismo internacional que atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas -, confirmou que a interrupção dos serviços de rotina é uma ameaça à saúde das pessoas portadoras das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares. O estudo foi feito no mês de maio com 158 países.

A situação é preocupante porque pessoas com DCNTs têm mais riscos de ficarem doentes se forem infectadas pelo novo coronavírus. Antes da pandemia, 81% de todas as mortes nas Américas ocorriam em razão dessas doenças. Estima-se que 62 milhões de pessoas vivam com diabetes na América Latina e no Caribe. Já o Brasil tem 17 milhões com a doença.

Os coordenadores do trabalho esperam que os resultados cheguem, principalmente, aos tomadores de decisão, e que eles entendam que algo precisa ser feito. “Temos que garantir que essas pessoas recebam os medicamentos para 90 dias de tratamento”, diz Viviana.

Barone se diz preocupado porque os diabéticos não estão recebendo o acompanhamento necessário. “O cenário mudou. Se antes eles se mantinham saudáveis, agora eles precisam se adaptar e receber orientações”, explica. “Não basta só ficar em casa!”

*Matéria Jornal da USP

 

 

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